sexta-feira, 31 de outubro de 2008

O resto é silêncio


E é o último final de semana de "São de Cera as Luzes da Cidade". Minha segunda peça profissional e uma peça que me ensinou um bocado de coisas. Uma peça que nasceu de uma situação foda de difícil, que quase morreu na estréia, que passou por semanas com um público pífio e que agora termina sua 1ª temporada de um jeito que me deixa muito satisfeito. Quase sempre com metade da casa cheia, com gente que sai emocionada, chorando ou com um engulho no gogó.

Fora isso me fez conviver com pessoas bacanas, com pessoas de teatro que eu sequer pensaria em conhecer e me fez pensar e repensar diversas coisas, algumas eu repensei, outras eu só confirmei mesmo.
Mas principalmente foi uma peça que me faz não querer nunca de fazer esse troço ruim, que não paga as contas, que me estressa, me deixa desiludido, mas que eu gosto pra caralho de fazer chamado teatro.

E eu queria agradecer todo mundo que fez com que essa peça fosse possível, já que não tivemos programinha e nem podemos demorar muitos nos agradecimentos, eu queria agradecer aqui nominalmente a todo mundo. Primeiro, ao Nei Lisboa, pela inspiração, pelas músicas afudê que compôs e por dar o sinal verde para usarmos as músicas na peça.

À Fernanda, por toda a força, pela preocupação, pelos cheques e por correr comigo para todos os lugares que for preciso. Sem essa dedicação, abnegação e pelo imenso senso de desprendimento de querer pouco ou nada em troca. E ainda por ficar horas enfurnada comigo dentro da cabine quente fazendo o som.

À Marina, que deu vida à Camila, um persoanagem bem complicado, que também deu mais do que seu empenho, por ter sido uma produtora associada que também sofreu o prejú e por ter abdicado do seu tempo e ter ajudado em tudo o que conseguiu. Sem o pontapé inicial e a força dela, também nada teria acontecido. E pela paciência, claro.

Ao Paulinho, por acreditar no lance, por ter feito das tripas coração e ter praticamente cagado tempo para ensaiar uma peça em 3 semanas. Por se preocupar com nosso prejuízo, por ajudar a peça a ser melhor do que eu tinha imaginado e por, apesar de tudo, estar ali junto, até mesmo nos momentos em que a polícia precisa ser chamada.

Ao Caio Areias, pela paciência de agüentar a Marina - brincadeira! Por ter sido uma espécie de malabarista chinês, equilibrando, trampo, filho recém-nascido, ensaios, direção musical e tudo mais. E ainda por ter se tornado um ótimo contra-regra e um terceiro elemento dos mais carismáticos na peça. E por se divertir a cada minuto, isso fica evidente.

À Vivi, que era apenas a namorada do ator e virou figurinista e diretora de arte das mais confiáveis. Que ajudou, carregou cenário, pegou os ingressos, divulgou e mesmo que pareça que eu não tenha notado, eu notei e sou profunda e extremamente grato a tudo. E além de tudo isso ela ainda pintou os móveis do cenário, dando a eles um estilo único e deu contribuições importantíssimas para o figurino. O que seríamos sem a Vivi?

Ao Marcelo Montenegro, por ter me dado as melhores dicas de luz que alguém poderia ter me dado. E por ter disposto de seu tempo sem pedir absolutamente nada em troca. Agora só falta ele ver a peça né?

Ao Renato Batata, que foi lá, tirou fotos, ajudou a carregar cenário e eu nem consegui agradecer o suficiente. Um puta cara legal e sossegado. Um dia espero que eu consiga pelo menos pagar umas brejas depois das fotos.

Meu irmão Rodrigo, que também sempre está disposto a ajudar. Que carrega cenário, se preocupa em divulgar, arrasta os amigos pra ver a peça - até mesmo contra a vontade - e apesar dos meus estresses, sempre está calmo e falando umas groselhas pra gente rir.

Toda a equipe do Ruth Escobar. Paulo, Sandra, Ascânio, André, Roberto, Ed, que sempre ajudam a gente, sempre entendem os problemas e os resolvem, sem precisar pedir duas vezes. É gente assim que a gente gosta de conhecer, gente simples, sem falsidades, que falam pouco, mas fazem muito. Isso sim é importante.

E - caindo no óbvio - minha família, especialmente minha tia que me fez um empréstimo considerável para que eu pudesse reservar o teatro e fazer a peça acontecer. E que aguentam todo o meu mal humor.

E é claro, todos que foram assistir e que gostaram e me escreveram e foram ver várias vezes e perceberam que uma peça de teato tem que ser muito mais do que apenas boa luz, bom cenário, atores conhecidos e produção caríssima. Gente que entende que entende a história e como ela é capaz de ganhar vida acima de tudo.

Bom, mas o silêncio completo só se dará no domingo, depois da última apresentação. Ainda faltam 3 dias... e aí sim... é o fim

terça-feira, 21 de outubro de 2008

O Público Fala IV

E o meu amigo Fábio Mendes, que viu a peça lá na primeira semana, escreveu um texto em seu blog. Ele escreveu no começo do mês, mas eu só fui ver hoje. Relapso....

Valeu Fábio


AS LUZES QUE BRILHAM NO TEATRO

Assistir a “São de Cera as Luzes da Cidade” é muito mais que simplesmente colocar a bunda em uma cadeira e ficar em silêncio assistindo a uma peça de teatro. É ficar preso à poltrona, com os pensamentos e as emoções soltas da primeira à última cena. É não conseguir falar porque a garganta secou para poder umedecer os olhos. É assistir a uma obra de arte em estado puro, porque traz tudo o que uma genuína manifestação artística precisa trazer.

Não há como ficar indiferente à montanha de sensações movida pelo texto direto e pela direção precisa de Paulo F. Um turbilhão de idéias passa pela mente durante a peça, uma emocionante história sobre amores, relacionamentos, sonhos e frustrações.

"São de Cera as Luzes da Cidade” é a história de Camila (Marina Franco) e Arthur (Paulinho Faria), casal que faz de suas escolhas profissionais a ponta-de-lança de suas idas e vindas entre o amor, a alegria e a desilusão. Ela larga o emprego burocrático para investir em sua carreira musical, enquanto ele busca se firmar em seu trabalho como cartunista. Entre um dedilhar de violão e um rabisco, surgem as luzes sobre as mesas e os palcos, que os unem e os separam.

A peça é obra do talento e da coragem do jovem escritor e dramaturgo Paulo Ferro Júnior, ou simplesmente Paulo F. Ao contrário de muitos que apenas choram as dificuldades que surgem no caminho, ele botou mãos à obra e, obstinado, nadou contra a maré até emplacar seu grande trabalho no teatro Ruth Escobar. Enfrentou dificuldades, passou grandes perrengues e lutou contra o árido cenário teatral brasileiro, que vive de peças pseudo-engraçadas movidas pelo nome de algum ator global. Uma luta feroz.

Luta esta que se tornou uma peça de primeiríssima qualidade. A bacaníssima trilha sonora recheada do bom e velho Nei Lisboa e a iluminação impecável criam o clima perfeito para as ótimas interpretações de Marina e Paulinho. Os diálogos são certeiros, matadores. Daqueles que nos deixam em suspenso, esquecidos de tudo. O fim da peça é como o acender de uma luz, que nos tira de nossos pensamentos e nos traz de volta para a vida real.

Tudo é extremamente bem feito e sacado. Alguns diriam que é feito com amor, mas eu diria que é feito com tesão. É nítida a garra e a vontade desta turma que rala para mostrar que há vida inteligente no teatro e que o talento está aí, esperando o momento de aparecer e emocionar.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Público Fala III

E o Hiran, vulgo Radociou, foi ver a peça no sábado e depois nos acompanhou no bar até 4 da manhã, falando sobre a vida o universo e tudo mais. E ele escreveu esse texta bacana bagaria sobre não ter medo de fazer o que se quer, o que se gosta.

Teatro

A vida é feita de sonhos, e no dia que eles acabarem, junto acaba a vida, pois somente os que sonham são capazes de metamorfosear em realidade a beleza que ocupa a nossa imaginação.

Certo, muitos sonham, mas nunca tentam torná-los realidade, mas esses não são os verdadeiros sonhadores, não são dignos de assim serem chamados, são apenas os egoístas que preferem guardar para si aquilo que deve ser partilhado entre todos. Exatamente por isso eu admiro os reais sonhadores, aqueles que, de uma maneira ou outra, aplicam todos os seus esforços para que um sonho vire realidade.

Nesse sábado eu fui assistir à peça teatral escrita e dirigida pelo meu amigo de longa data, Paulo F., no teatro Ruth Escobar, chamada “São de Cera as Luzes da Cidade”. Além de assisti-la, pude, ao menos em parte, corrigir uma falha minha que foi não ter ido assistir à sua primeira peça.

Ele a escreveu e dirigiu e, todos os esforços necessários para fazê-la existir vieram dele e dos seus parceiros, nesse mundo onde a cultura não é valorizada, principalmente se o teu nome não aparece nas colunas sociais ou na Caras.

A peça realmente é muito boa, é uma narrativa que realmente me agrada, até por termos muitas influências literárias em comum, mas o mais importante de tudo é sonho, sempre e novamente ele. Sonhou e o fez tornar real.

Fico muito feliz e sinto-me muito orgulhoso por ver um amigo vencer. Sim, porque antes de qualquer coisa, é um vitorioso por ter corrido atrás de um sonho e tê-lo tornado real, possibilitando que outros o vejam, o acompanhem, o aplaudam.

Louros aos sonhadores, aos que vêem seu nome estampado na capa de um livro, num cartaz de teatro, numa resenha, num texto ou mesmo apresentado num show de rock, pois esses transcenderam e estão tentando fazer a sua parte para que esse mundo seja um pouco melhor, um pouco mais alegre, um pouco mais criativo.


Valeu Hiran!

domingo, 28 de setembro de 2008

O Público Fala II

E o Pedro Pellegrino viu a peça nesta sexta-feira, que tava um pouco frio e tinha bem pouca gente no teatro.

ANTES QUE O FOGO SE APAGUE

Você vive aquele sentimento, você foge enquanto o raio não cai na sua cabeça. O telhado está aberto...

Em relacionamentos as acusações são como um urânio em aquecimento , elas podem terminar criando uma bomba atômica, ou sendo paradas a tempo.

São de Cera as Luzes da Cidade, a peça do dramaturgo Paulo F , fala de um relacionamento, um relacionamento muito parecido com outros...

Diversão, saudade, poesia, tristeza, rock and roll, gibis.

Paulinha Faria e Marina Franco estão excelentes, Marina interpreta canções do cantor gaúcho Nei Lisboa.

No blog do Paulinho Faria(Pankada, para os íntimos) ele diz que a peça ainda pode ser melhorada, melhor que isso?

Acho que não dá, meus caros amigos Paulos.

Paulo F na minha opinião depois dessa peça se consolidou(consagrou) como um dos maiores dramaturgos do país, uma direção precisa, acertada, ele com certeza bebeu na obra de Mário Bortolotto, e de outros dramaturgos próximos a ele.

Paulinho Faria fez uma estupenda interpretação de seu personagem, a cena final é de uma beleza impressionante,

Eu nem consegui ouvir a música, eu precisava ainda acreditar, eu precisava manter a chama acessa- e para isso derramei algumas lágrimas naquela noite fria.


Confesso que fiquei emocionado com o texto do Pedro, e certamente não sou um dos maiores dramaturgos do Brasil, mas agradeço de coração o voto de confiança, e digo mais, se a peça vai mal de público, são textos como esse que me dá ânimo para continuar, porque se eu conseguir tocar 1 pessoa com meu trampo, então ele tá mais do que valendo.

Valeu Pedrão, de coração!

O Público Fala I

Meu amigo Randall, grande escritor, que fez uma puta leitura no Desconcertos do dia 13 desse mês foi ver a peça no mesmo dia. O dia que foi praticamente a estréia oficial da peça. E ele escreveu:

A peça do Paulo F. é simplesmente sensacional! As músicas casam perfeitamente com a história, as atuações são excelentes, o cenário despojado e preciso é completado por uma iluminação impecável, e a coisa rola na duração certa, sem nada de barriga, deu um puta orgulho ser bróder desse cara!

Eu só queria muito ver essa peça cheia, pra ter um pouquinho mais de esperança. Nas pessoas, mas elas preferem ver outro tipo de coisa. Pessoas...


Valeu Randall.

sábado, 27 de setembro de 2008

O Dramaturgo de verdade falou...

E hoje também tem a peça do Paulo F. Vou assistir na semana que vem. O Paulo faz parte dessa geração de novos dramaturgos que eu levo a mó fé e que a rapaziada (os críticos e o caralho a quatro) ainda não prestaram a devida atenção. Pra mim ele tá no mesmo time do João Fábio Cabral (esse já é quase um veterano), Sérgio Mello, Marcos Gomes e Paula Chagas. No elenco os meus amigos Paulinho Pankada e Marina Franco. E na trilha, só Nei Lisboa.

Mário Bortolotto



Sempre fico muito feliz quando o Mário, que é um dos caras que mais admiro e respeito nesse mundo que vivemos escreve palavras como essas. E isso sempre faz com que a gente tenha ânimo para continuar.

Valeu Marião!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Sim! Hoje tem...

E se você quer ir e pagar apenas 10 reais. Clique na imagem acima, imprima e apresente na bilheteria. Você e 1 acompanhante terão 50% de desconto. Dá pra imprimir quantas quiserem.

Mas se você quiser pagar apenas R$5,00. Entre em www.ingresso.com.br e compre pela promoção Teatro é um Barato, ou pelo telefone: 4003-2330. Também dá pra comprar em algumas americanas... algumas.

E se você assina o jornal Folha de São Paulo, pode entrar no site do Clube Folha e imprimir o seu voucher para pagar 50% também.

Bom... não tem como reclamar que tá caro ou que tá dificil de comprar.

O que não me conforma é o show do REM custar no mínimo R$200,00.