
E é o último final de semana de "São de Cera as Luzes da Cidade". Minha segunda peça profissional e uma peça que me ensinou um bocado de coisas. Uma peça que nasceu de uma situação foda de difícil, que quase morreu na estréia, que passou por semanas com um público pífio e que agora termina sua 1ª temporada de um jeito que me deixa muito satisfeito. Quase sempre com metade da casa cheia, com gente que sai emocionada, chorando ou com um engulho no gogó.
Fora isso me fez conviver com pessoas bacanas, com pessoas de teatro que eu sequer pensaria em conhecer e me fez pensar e repensar diversas coisas, algumas eu repensei, outras eu só confirmei mesmo.
Mas principalmente foi uma peça que me faz não querer nunca de fazer esse troço ruim, que não paga as contas, que me estressa, me deixa desiludido, mas que eu gosto pra caralho de fazer chamado teatro.
E eu queria agradecer todo mundo que fez com que essa peça fosse possível, já que não tivemos programinha e nem podemos demorar muitos nos agradecimentos, eu queria agradecer aqui nominalmente a todo mundo. Primeiro, ao Nei Lisboa, pela inspiração, pelas músicas afudê que compôs e por dar o sinal verde para usarmos as músicas na peça.
À Fernanda, por toda a força, pela preocupação, pelos cheques e por correr comigo para todos os lugares que for preciso. Sem essa dedicação, abnegação e pelo imenso senso de desprendimento de querer pouco ou nada em troca. E ainda por ficar horas enfurnada comigo dentro da cabine quente fazendo o som.
À Marina, que deu vida à Camila, um persoanagem bem complicado, que também deu mais do que seu empenho, por ter sido uma produtora associada que também sofreu o prejú e por ter abdicado do seu tempo e ter ajudado em tudo o que conseguiu. Sem o pontapé inicial e a força dela, também nada teria acontecido. E pela paciência, claro.
Ao Paulinho, por acreditar no lance, por ter feito das tripas coração e ter praticamente cagado tempo para ensaiar uma peça em 3 semanas. Por se preocupar com nosso prejuízo, por ajudar a peça a ser melhor do que eu tinha imaginado e por, apesar de tudo, estar ali junto, até mesmo nos momentos em que a polícia precisa ser chamada.
Ao Caio Areias, pela paciência de agüentar a Marina - brincadeira! Por ter sido uma espécie de malabarista chinês, equilibrando, trampo, filho recém-nascido, ensaios, direção musical e tudo mais. E ainda por ter se tornado um ótimo contra-regra e um terceiro elemento dos mais carismáticos na peça. E por se divertir a cada minuto, isso fica evidente.
À Vivi, que era apenas a namorada do ator e virou figurinista e diretora de arte das mais confiáveis. Que ajudou, carregou cenário, pegou os ingressos, divulgou e mesmo que pareça que eu não tenha notado, eu notei e sou profunda e extremamente grato a tudo. E além de tudo isso ela ainda pintou os móveis do cenário, dando a eles um estilo único e deu contribuições importantíssimas para o figurino. O que seríamos sem a Vivi?
Ao Marcelo Montenegro, por ter me dado as melhores dicas de luz que alguém poderia ter me dado. E por ter disposto de seu tempo sem pedir absolutamente nada em troca. Agora só falta ele ver a peça né?
Ao Renato Batata, que foi lá, tirou fotos, ajudou a carregar cenário e eu nem consegui agradecer o suficiente. Um puta cara legal e sossegado. Um dia espero que eu consiga pelo menos pagar umas brejas depois das fotos.
Meu irmão Rodrigo, que também sempre está disposto a ajudar. Que carrega cenário, se preocupa em divulgar, arrasta os amigos pra ver a peça - até mesmo contra a vontade - e apesar dos meus estresses, sempre está calmo e falando umas groselhas pra gente rir.
Toda a equipe do Ruth Escobar. Paulo, Sandra, Ascânio, André, Roberto, Ed, que sempre ajudam a gente, sempre entendem os problemas e os resolvem, sem precisar pedir duas vezes. É gente assim que a gente gosta de conhecer, gente simples, sem falsidades, que falam pouco, mas fazem muito. Isso sim é importante.
E - caindo no óbvio - minha família, especialmente minha tia que me fez um empréstimo considerável para que eu pudesse reservar o teatro e fazer a peça acontecer. E que aguentam todo o meu mal humor.
E é claro, todos que foram assistir e que gostaram e me escreveram e foram ver várias vezes e perceberam que uma peça de teato tem que ser muito mais do que apenas boa luz, bom cenário, atores conhecidos e produção caríssima. Gente que entende que entende a história e como ela é capaz de ganhar vida acima de tudo.
Bom, mas o silêncio completo só se dará no domingo, depois da última apresentação. Ainda faltam 3 dias... e aí sim... é o fim


